Apoio emocional: profissionais da linha de frente contra a covid-19 na Unimed SE contam com Plantão do Acolhimento

Pensando em como os profissionais da saúde estão lidando com o cenário da pandemia e aderindo a uma demanda dos mesmos, a Unimed Sergipe começou a oferecer um auxílio emocional a esses profissionais. Com um trabalho recorrente de escuta, a instituição criou o projeto denominado Plantão do Acolhimento, uma rede de acolhimento emocional para os profissionais que estão na linha de frente na luta contra a covid-19.

O apoio é feito por três psicólogas da Unimed, que, divididas em turnos, vão até os locais de trabalho para fazer a escuta. A divisão foi feita pensando no maior número de atendimentos possíveis e ocorre de forma periódica, em grupos, ou individualmente, quando os grupos não são possíveis.

“Nós oferecemos um espaço. Ficamos lá por um tempo e então convidamos esses profissionais de linha de frente e todos os profissionais, na verdade. Já recebemos tanto técnicos de enfermagem, quanto o pessoal da higienização. A própria coordenação, que um dia solicitou, também já participou”, relata uma das psicólogas responsáveis pelo projeto, Marcia Regina de Oliveira, colaboradora do Unimed Pleno.

As escutas acontecem em um espaço aberto, para que não tenha um número definido, mas que se consiga abranger esses profissionais que estão precisando no momento. Os plantões de acolhimento acontecem nos três turnos, manhã, tarde e noite.

Nas atividades propostas são feitos alguns estímulos inespecíficos para que os participantes se sintam mais à vontade, comecem a falar e não fiquem tão intimidados. Embora feito desta forma, Marcia Regina conta que muitos ainda tem uma resistência, porque estão deixando o lugar de trabalho, têm muita coisa para fazer e não conseguem se desligar.

“A busca começou tímida. Acredito que mais pela coordenação e pelo próprio RH, devido a sobrecarga desta segunda onda da pandemia. Nós temos hospitais superlotados, está tendo muita perda, então eles sentiram a necessidade de ofertar essa escuta. No começo timidamente porque ninguém sabia direito o que era. A partir do momento em que os profissionais foram participando, foram já espalhando. Então, em alguns outros momentos, já sinalizaram que gostariam de participar”, diz a psicóloga Márcia.

Outra questão destacada pela psicóloga é o fato de os profissionais estarem trabalhando “no automático”. Por isso, de acordo com ela, esse momento está sendo muito importante para que eles parem para pensar um pouquinho em si mesmos e possam entrar em contato com aquilo que eles estão sentindo.“Nesses momentos eles param e conseguem colocar para fora coisas que estão muito latentes, presas. Tem sido muito gratificante fazer esse momento de escuta para eles. Eu tenho ouvido bastante que esses momentos estão sendo importantes e que fazem questão”, conta a profissional.

O atual momento de pandemia acarretou reflexões sobre a importância social da profissão, sobre questões de valorização que, somadas ao contexto de medo e de muitas perdas,  acaba colocando os profissionais da saúde que estão na linha de frente do enfrentamento à pandemia em contato com a dubiedade entre ser os profissionais do cuidado, querer salvar, mas, ao mesmo tempo se sentirem impotentes de não poderem fazer tudo. Isso tudo chamou a atenção das coordenações da Unimed Sergipe, como pontua a também psicóloga do projeto, Deise Fernanda Peixoto.

“As coordenações acabam percebendo que os seus funcionários estão um pouco mais adoecidos, um pouco mais desgastados, alguns um pouco chorosos, alguns com a sensação de talvez querer desistir da profissão ou de dar uma pausa, então isso fez com que surgisse uma preocupação de ofertar um tipo de cuidado que pudesse auxiliar no processo de como eles poderiam lidar com todo esse contexto”, pontua Deise Fernanda.

Segundo ela, profissionais da saúde, no geral, são uma categoria que já é considerada de risco para adoecimento emocional. Então, já se tem um alto índice de adoecimento relacionado ao trabalho nesta categoria. Já é recomendado que eles tenham algum tipo de suporte psicológico.

“O projeto tem sido bastante rico, os profissionais acabam trazendo muitas questões comuns. As pessoas estão vivenciando coisas parecidas, desgaste, a sensação de impotência é muito parecida, então acaba sendo rico porque eles conseguem se colocar, expressar como estão se sentindo e sentirem-se também nesse outro lugar de cuidados, porque eles estão muito no papel de cuidadores. E, quando vamos ofertar esse tipo de cuidado assim, eles se sentem vistos”, conclui a psicóloga da Unimed.

 

 

 

 

 

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