Bittencourt comemora decisão do TSE e diz que racismo institucionalizado gera falta de representatividade negra na política

A decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 25 de agosto, que divide proporcionalmente o dinheiro que financia as campanhas entre candidatos brancos e negros a partir de 2022, foi comemorada pelo vereador por Aracaju, Prof. Bittencourt (PCdoB). Ao AjuNews, Bittencourt falou sobre a importância da medida e disse que a falta de representatividade negra na política é fruto do racismo institucionalizado.

Bittencourt destacou que o déficit de representatividade não acontece só na política, e sim em todas as esferas da sociedade, mesmo que no Brasil a maioria da população seja negra. Ele citou o exemplo de onde trabalha: “Na Câmara de Aracaju são 24 vereadores e três que assumem a condição de negros. Na Assembleia Legislativa de Sergipe, creio que não há nenhum. Isso não reflete a realidade”.

“Isso também é fruto de um processo histórico, de um racismo institucionalizado, com a população negra relegada a espaços subalternos da sociedade. Sempre digo às pessoas que fechem os olhos e imaginem um político ou uma figura de negócios bem-sucedida. Elas quase sempre imaginam brancos”, afirmou.

Por isso, Prof. Bittencourt elogiou o passo dado pelo TSE. “Quando você força por pressão legal, mesmo não sendo o ideal, é um caminho importante para efetivamente construir equidade no processo eleitoral. Deve-se caminhar na construção de uma equidade no processo, é algo muito justo”, pontuou.

O vereador também defendeu que os partidos promovam maior diversidade. De acordo com o parlamentar, não adianta as legendas pregarem a justiça social e a igualdade em suas premissas, se elas não cumprem tal palavra em suas representações internas.

“Os partidos que em tese reafirmam a ideia da justiça social e da igualdade devem estimular e exigir o equilíbrio interno em suas forças de representação. Isso traz o discurso para a prática. O partido deve ser um reafirmador das várias diversidades no Brasil. Eles disputam poder, e isso não é possível sem a expressão da diversidade”, destacou.

Por fim, Bittencourt disse que mesmo com tais dificultadores, é necessário que a população negra também se engaje no processo contra o racismo na política: “Essa maioria negra precisa cada vez mais se organizar politicamente. Nós ainda temos alguma coisa na sociedade pela qual precisamos lutar, que é o estado democrático de direito, com eleições a cada dois anos. São os negros que sabem o que é a necessidade de imprimir ações de políticas públicas combatendo o racismo”.

De acordo com levantamento do jornal O Estado de São Paulo, em 17 dos 24 partidos no Congresso Nacional, a participação de políticos autodeclarados negros ou pardos vai de zero a 41%, apesar de a maioria da população brasileira ser autodeclarada negra.

 

Por Eduardo Costa

 

 

 

 

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