Coluna Educação e Trabalho: Ensino Superior x Pandemia

ENSINO SUPERIOR x PANDEMIA

 

Iniciamos o ano de 2021 com grandes expectativas, certos de que sabíamos o que precisa ser feito para controlar o vírus que assola o mundo. As aquisições das vacinas e o início das aplicações, deu uma certa segurança de que tudo estava melhorando diante dos números e da flexibilização.

Na Educação esse cenário não foi diferente. Todo o planejamento foi feito imaginando a retomada do ensino presencial, com rodízios de alunos para que não houvesse aglomerações, sempre tomando os cuidados necessários.

Para o ensino superior, o Ministério da Educação junto ao Conselho Nacional de Educação, emitiram portarias e resoluções de maneira que pudessem contribuir com o desenvolvimento das aulas em 2021. A portaria do MEC nº 1.038 de 07/122020, liberou as aulas presenciais para início em 01 de março de 2021, nas instituições de ensino superior, desde que seguindo os devidos protocolos. No entanto com a nova variante da covid-19, e com os autos números de infectados, que resultaram em um verdadeiro caos no sistema de saúde, todo o planejamento precisou ser revisto e as aulas voltaram a ser ofertadas de maneira remota em todo o país. Observando que cada Estado vive momentos diferentes, em 2020, a resolução do CNE, estabeleceu diretrizes proeminentes, oferecendo as IES autonomia para agirem conforme sua realidade.

Além disso, também enfrentamos velocidades distintas quando observamos o cenário público e privado, o que prejudicou alguns alunos nas instituições públicas.

 

ENSINO PÚBLICO E PRIVADO

Segundo o SEMESP, o ensino superior privado corresponde a 75% das matrículas no Brasil. Até outubro de 2020, as instituições de ensino superior privadas, perderam cerca de 173 mil alunos, por trancamentos, desistências e não renovação de matrículas. Não o bastante, foi mais de 250 mil alunos que deixaram de ingressar no 2º semestre de 2020, o que resultou em uma média de 423 mil estudantes a menos por conta da pandemia.

Os desafios desse novo cenário refletiram significativamente nos alunos, que precisaram se adaptar de maneira ágil, principalmente os que já estavam habituados as aulas presenciais. Segundo Patrícia Santana, aluna do curso de Administração, o momento de adaptação não foi tão desafiador para ela, por ter domínio sobre as ferramentas tecnológicas, mas percebe que existem casos isolados de alunos que tiveram bastantes dificuldades com esse novo formato. Ressalta ainda que mesmo de maneira remota, conseguiu interagir ainda mais com os colegas de sala, e sempre se coloca a disposição para ajudar. Para Patrícia a faculdade é um sonho que está realizando e não vê a hora de estar com seu diploma.

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Os dados acima mostram que o cenário atual é de bastante cautela, investimentos em tecnologias e novas estratégias.

De acordo com Jailson Silva, diretor geral de uma Instituição de Ensino Superior Privada em Aracaju, “a tecnologia tem um impacto muito importante para esse novo cenário, e o ensino híbrido precisa ser regularizado de maneira mais ágil, para contribuir com o futuro próximo da educação”. Enfatiza ainda que os professores precisam estar de fato preparados para aplicação das metodologias ativas que possibilite uma interação eficaz com os alunos, alcançando os objetivos desejados no processo ensino aprendizagem, percebendo ele que as aulas remotas atuais ainda não se encaixam no perfil pretendido. Mesmo diante desse cenário, a Instituição está otimista com os números e vê que o interesse pela busca de conhecimento e da formação, tem sido observado como fundamental para o mercado de trabalho.

 

As universidades públicas sofreram um impacto ainda maior, levando em consideração que grande parte de seus alunos não tinham acesso à internet e aos recursos tecnológicos. Tomar decisões “imediatas” como o que aconteceu com as instituições privadas, colocaria em risco o aprendizado dos alunos o que resultaria em uma evasão em massa. Com um tempo maior para criar estratégias para o retorno às aulas de maneira remota, foi possível pensar em programas que beneficiassem os alunos que não tinham computadores e/ou internet. E mesmo assim, o planejamento, controle e coordenação para este fim ainda deixou a desejar.

O estudante de Nutrição da Universidade Federal de Sergipe, Carlos Daniel da Silva, confirma que esse tempo foi fundamental para que seus colegas de sala não fossem prejudicados e que na turma dele não houve evasão.

No entanto, existem alunos que mesmo com o programa de bolsa, trancaram seus cursos por não acreditar no ensino remoto e por dificuldades no uso das ferramentas tecnológicas.

 

A partir desse cenário, observamos que diante de tantas mudanças emergenciais necessárias, as instituições de ensino superior fizeram o que estavam ao seu alcance para que os alunos não fossem prejudicados. Mesmo as instituições que ainda não ofertavam os 40% de disciplinas online liberadas pelo MEC através da portaria nº 2.117, de 6 de dezembro de 2019, conseguiram se adaptar ao momento.

Os desafios vivenciados na educação superior do Brasil em meio à pandemia trouxeram oportunidades de mudanças e adaptações jamais imaginadas, ampliando as possibilidades e ensinando que com comprometimento e criatividade, é possível fazer o que antes era “impossível”.

 

Por Dayse Xavier de Santana

Pedagoga

Especialista

Consultora Educacional

Contato: daysesantana.consultoria@gmail.com

Notícias de Sergipe

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