Filiação de Danielle ao Podemos repete vícios da velha política e reaproxima Alessandro e Bolsonaro

Ao tomar para si o comando estadual do Podemos em Sergipe e entregá-lo à delegada Danielle Garcia, o senador Alessandro Vieira (Cidadania), além de afirmar-se “dono” de vários partidos, repetindo vícios da velha política, busca uma reaproximação com o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo Alessandro, com a filiação de Danielle, o Podemos, “partido parceiro no Senado”, passa a compor o projeto do seu grupo em Sergipe. Acontece que, no Senado, o Podemos integra a tropa de choque de Bolsonaro, governo cuja gestão é criticada pelo senador sergipano.

Eleito na onda bolsonarista de 2018, Alessandro hoje faz oposição ao presidente. Apesar disso, enquanto aguarda os desdobramentos do cenário nacional para decidir qual onda surfar nas eleições de 2022, voltou a pôr os pés na base do governo Bolsonaro. Ou seja, faz oposição pelo Cidadania, e mantém-se aliado por intermédio do Podemos.

Gato com dois sentidos, o senador sergipano, que preside o diretório regional do Cidadania, posiciona-se em cima do muro e se mostra disposto a embarcar no projeto de reeleição do presidente da República, desde que este se mostre vantajoso à sua candidatura ao governo do Estado.

Sem diálogo
Sorrateira, a articulação de Alessandro junto à cúpula nacional do Podemos para tomar o comando do diretório de Sergipe, típica da velha política, mostrou-se desacertada e surpreendeu tanto o deputado estadual Zezinho Sobral, que presidente a sigla no Estado, quanto o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire.

“O Podemos Sergipe segue uma linha política que não é a mesma da filiação realizada pela nacional”, disse Zezinho em nota enviada à imprensa na tarde de segunda-feira (19) para criticar a filiação de Danielle ao partido que preside. “Isso contraria o planejamento estratégico do próprio partido, assim como as regras do compliance sugeridas e propostas para todos os diretórios” destacou o deputado.

Ao comentar a postagem em rede social em que Alessandro anunciou para esta terça-feira (20) a filiação de Danielle ao Podemos, Roberto Freire mostrou-se surpreso com a informação. Não entendi. Não era, ela [Danielle Garcia] a grande liderança e futura candidata a deputada federal aí em Sergipe pelo nosso Cidadania? O que aconteceu?, questionou em tom irônico o presidente da executiva nacional do Cidadania.

Esse não é o primeiro desentendimento público de Alessandro e Roberto Freire. Há pouco mais de um mês, o senador chegou a anunciar sua desfiliação do Cidadania depois de o presidente do partido decidir pela desistência de uma ação no SFT que pedia investigação do chamado escândalo do tratoraço, do governo Bolsonaro.

Na ocasião, Alessandro disse que a sua coerência inviabilizava sua permanência no partido. Mas, incoerentemente, voltou atrás dias depois alegando que o partido havia lhe delegado a tarefa de “conduzir um processo de mudança do sistema de governança do Cidadania”, medida que, segundo ele, visa “evitar decisões isoladas”, tal qual a que ele próprio acaba de praticar junto ao diretório estadual do Podemos.

Caminhos divergentes
Para além de provocar desentendimentos com dirigentes partidários e reafirmar seu autoritarismo, Alessandro acabou criando as condições para que Danielle, em 2022, seja candidata sem o jugo da sua liderança política. A delegada, ao decidir deixar o Cidadania para assumir os rumos do Podemos Sergipe, trabalha, na verdade, para seguir alinhada ao bolsonarismo e dissociar-se da imagem do senador, bastante desgastada entre os eleitores do presidente.

No Senado, o Cidadania atua junto aos partidos que fazem oposição a Bolsonaro enquanto o Podemos se soma à tropa de choque que garante a defesa do presidente na Casa, posturas que evidenciam a contradição da aliança local recém-anunciada pelo senador sergipano. Apontando para direções opostas, o Cidadania e o Podemos, no Congresso e em Sergipe, devem continuar seguindo por caminhos distintos na eleição do próximo ano.

A paisana
Curiosamente, a filiação de Danille ao Podemos foi agendada para ocorrer na Churrascaria Paisano, do ex-jogador Washington Coração Valente, no bairro Jardins, em Aracaju. Washington, assim como Alessandro, acende velas para dois senhores.

Enquanto perambula pelo interior junto a aliados de Belivaldo, sua esposa, Andrea Blum, vive a criticar o governador e o prefeito da capital. Embora não anunciada, a filiação do ex-jogador ao Podemos é aguardada pelo grupo de oposição ao governo estadual, que torce para que o Valente desça do muro.

 

 

 

 

 

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