Há mais de 40 anos no poder, ex-ministro de Temer se mantém no comando do Cidadania, partido do senador Alessandro

Enrolado na bandeira da nova política, Alessandro Vieira destacou em sua primeira declaração como membro do Cidadania que “movimentos de renovação” estão engordando as fileiras do partido “de uma forma muita intensa”

Para dar ares novos a uma sigla carcomida pelo tempo, em congresso extraordinário realizado no último sábado (23) em Brasília o PPS (Partido Popular Socialista) aprovou nova nomenclatura para a agremiação: Cidadania, nome rejeitado por uma parcela dos filiados. Embora tenha adotado nome novo, o partido continuará a ser presidido nacionalmente pelo velho Roberto Freire que, aos 76 anos, é político de carteirinha desde 1975.

Cidadania 23 – Há mais de 40 anos no poder, ex-ministro de Temer se mantém no comando do Cidadania, partido do senador Alessandro

“Cidadania representa o futuro da política brasileira”, anunciou o senador Alessandro Vieira, ainda com o crachá do congresso do “novo” partido pendurado ao pescoço, após ser escolhido por seus correligionários para comandar o diretório estadual da sigla em Sergipe.

Entusiasta da “nova política”, nome que atribui a métodos pouco menos convencionais de se operar a “velha política”, o senador Alessandro demonstra não ver problema algum no fato de entregar o comando nacional do Cidadania (PPS), o qual teria a nobre missão de representar o futuro da política brasileira, a Roberto Freire, ex-deputado federal por oito legislaturas, ex-senador da República e ex-ministro do governo Michel Temer.

PPS 23 – Há mais de 40 anos no poder, ex-ministro de Temer se mantém no comando do Cidadania, partido do senador Alessandro

Forjado liderança partidária, o senador Alessandro tenta fazer crer que a mudança de nomenclatura implementada pelo PPS demonstra sintonia do partido com demandas da sociedade, a qual estaria a reclamar uma representação “mais moderna, contemporânea, que consiga garantir que o cidadão tenha, efetivamente, aquela sua essência representada no parlamento, nas demandas políticas”, pontuou.

Supondo haver uma nova realidade no âmbito do agora antigo PPS, Alessandro Vieira destacou em sua primeira declaração como membro do Cidadania que “movimentos de renovação” estão engordando as fileiras da agremiação “de uma forma muita intensa”_.

Como demonstramos aqui , as “lideranças cívicas” do Movimento Acredito – um desses “movimentos de renovação” -, do qual Alessandro é um dos expoentes, tiveram suas candidaturas bancadas por bilionários e multimilionários que patrocinaram candidatos aptos a defender seus interesses econômicos e financeiros no Congresso Nacional, como sempre fizeram grandes empreiteiras do porte da Odebrecht e da OAS.

Com a chegada de novos parlamentares, como as autoproclamadas lideranças cívicas do Movimento Acredito, explica o senador Alessandro, “é natural que você passe a ter algumas pautas acrescentadas, mas sem perder a essência do partido”, o qual, segundo afirmou, sempre defendeu a liberdade e a cidadania.

Para o senador Alessandro Vieira, o cidadão brasileiro precisa assumir o comando daquilo que deseja para si e cobrar de seus representantes esse comportamento. “Esse partido [o Cidadania] representa isso”, afirmou o parlamentar gaúcho-sergipano, representante da “nova política”, comandado nacionalmente por um expoente da “velha política”.

Alessandro afirma que pretende construir um partido que represente o anseio da sociedade por renovação, ética na política e qualidade de gestão. “Os quadros no estado [de Sergipe] são altamente qualificados e podem contribuir para grandes resultados em 2020 e 2022”, diz o senador.

Um dos quadros do Cidadania em Sergipe é o deputado estadual Samuel Carvalho, que participou em Brasília do congresso que escolheu o senador Alessandro presidente da comissão provisória estadual do partido. Eleito deputado pela primeira vez em 2018, Samuel Carvalho teve sua candidatura financiada, em sua maior parte – mais de R$100 mil -, por recursos do fundo eleitoral do PR, partido presidido em Sergipe por Edvan Amorim, o qual, no entendimento do senador Alessandro, seria um representante da velha política.

Em 2007, estudo divulgado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) listou mais de 600 políticos que tiveram seus mandatos cassados por denúncia de corrupção, num intervalo de sete anos . Nessa relação, o PPS ocupou a oitava posição do ranking de partidos com mais políticos cassados por envolvimento em casos de corrupção. Mesmo tendo como bandeira de atuação parlamentar o combate à corrupção, o senador Alessandro sustenta que o PPS, agora Cidadania, representa o futuro da política no país.

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