Lugar, a Geografia e a subjetividade

       

A Geografia tem como uma de suas correntes filosóficas, a fenomenologia, uma percepção subjetiva para a compreensão dos fenômenos do espaço através da consciência do saber humano. Essa relação embasada nos sentidos e na mente do ser humano, redefiniu o conceito de lugar nessa ciência, sendo representado pela afetividade particular do observador. Por isso, a geografia se disseminou em outras áreas e está entrelaçada com a cultura. 

Essa corrente filosófica, é uma oposição ao positivismo, outra base para os conhecimentos geográficos que se trata de uma abordagem empírica. Um tipo de conhecimento baseado unicamente na experiência, ou seja, aquilo que pode ser testado, o palpável. Assim, relações abstratas com o espaço são excluídas, como os sentimentos transmitidos pelo mesmo em uma determinada situação da realidade. E são esses sentimentos, que remetem o conceito de lugar atualmente na geografia. O lugar é a percepção dos sentidos como, paladar, olfato, tato, visão e audição sobre o espaço, resultando na afetividade que aquele local desperta no observador. Nesse sentido, surge uma das ramificações, a Geografia Cultural, uma área que tem a definição de cultura como parâmetro para suas análises. A cultura é caracterizada pelo conjunto de costumes, valores e crenças de um determinado grupo social, podendo ser chamado de etnia. O espaço no qual a etnia desperta uma identidade é chamado de lugar, onde suas expressões impalpáveis são aplicadas. 

O lugar pode ser representado por aquele bairro que o indivíduo mora, trazendo suas lembranças de infância e despertando aquele sentimento de lar. A relação familiar pode ser um dos centros dessa percepção, demonstrando os sentimentos e comportamentos a partir deles.  E a questão dos comportamentos, é uma ideia de suma importância na caracterização desse conceito. Os estudos geográficos não são aplicados para analisar diretamente esses sentimentos, mas fazer uma análise de acordo com o seu objeto de estudo. O campo de estudo da Geografia, é o resultado da produção do homem no espaço, com isso a análise subjetiva se dá a partir da relação do abstracionismo produzido no espaço. Sendo assim, seria analisar os comportamentos do homem no seu lugar, gerados através da afetividade particular. Seja ele, um bairro, uma rua, uma casa ou até mesmo uma região, que mostre seus costumes ou seus valores. Podendo ser a religião utilizada, as brincadeiras de infância, as reuniões familiares, a identificação por uma determinada crença e entre outras. Portanto, os conhecimentos geográficos jamais separam a relação do ser humano com o meio para o desenvolvimento de suas categorias e conceitos.  

Destarte, podemos perceber que pelo fato de a ciência geográfica ter em sua epistemologia, uma corrente filosófica baseada na subjetividade, o saber geográfico consegue fazer relações abstratas. E a partir disso, desenvolve o conceito de lugar, que é um dos princípios para a quebra do tradicionalismo geográfico. Essa questão tradicional que trata o conhecimento da geografia como descritiva e totalmente interligada ao positivismo.  Assim, a ciência ganha novas dimensões de relação com a realidade do ser humano para entender o seu espaço, já que o mesmo está a todo momento trazendo algum tipo de sentimento ou conhecimento metafísico, que é o campo da cultura. 

 

 

Por Jhonas Souza, aluno de geografia na Universidade Federal de Sergipe

 

 

 

 

 

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