Prefeitura de Aracaju firma parceria com instituições LGBTQIA+ e apresenta projeto de qualificação profissional

Na sociedade, tradicionalmente, o caminho mais natural na jornada do cidadão até o mercado de trabalho começa pela educação. Contudo, essa não é a realidade de boa parte da sociedade. O público LGBTQIA+, por exemplo, é uma parcela da população que, muitas vezes, é negligenciada em diversas áreas da sociedade e têm seus direitos a esse processo negados.
Mobilizados por essa realidade, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat) se reuniu nesta sexta-feira, 20, com instituições e movimentos LGBTQIA+ de Aracaju: Casa Amor, Transunides, Associação de Travestis Unidas na Luta pela Cidadania (Unidas) e Amo Ser Trans, para a assinatura de termo de parceria, apresentar e colocar em ação o Projeto de Qualificação Profissional para população LGBTQIA+.
O projeto, pensado exclusivamente para essa comunidade, planeja capacitar mais de 300 cidadãos por meio de cursos e oficinas voltados para o mercado de trabalho. Inicialmente, serão formadas 20 turmas com uma capacidade máxima de 400 vagas. Esses cursos serão ofertados nas Unidades de Qualificação Profissional (UQP’s), espalhadas pelos bairros de Aracaju, para facilitar o acesso dos alunos.
A presidente da Fundat, Edivaneide Lima, acredita que esse é o primeiro passo de uma grande e efetiva jornada da Fundação em conjunto com a comunidade LGBTQIA+. “Eu me sinto muito orgulhosa, enquanto servidora pública, de poder disponibilizar nossos serviços e recursos a um projeto tão importante e grandioso, que tem potencial para mudar a vida de tantas pessoas. Não existe mais espaço para discriminação e preconceito em nossa sociedade, essas pessoas estão lutando por seus direitos, e cabe a nós, enquanto sociedade e poder público entregar as ferramentas para esse progresso”, ressalta a presidente.
Quando voltamos nossa atenção para o público trans, o segmento mais violentado e marginalizado historicamente, são inúmeras as problemáticas que surgem. O Brasil ainda é o país que mais mata travestis e transsexuais no mundo. Ainda segundo um levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a presença de pessoas trans em faculdades é de 3%. Por isso, é de grande preocupação para a Fundat que esse projeto acolha e tenha uma atenção especial a essas pessoas.
A presidente da Associação de Travestis Unidas na Luta pela Cidadania (Unidas), Jéssica Taylor, esteve nessa reunião e frizou a importância desse foco nas pessoas trans, e de como é crucial que suas rotinas e particularidades possam ser tratadas com cuidado e respeito. “Para a Unidas, é muito importante esse projeto porque ele dá uma oportunidade para essas pessoas que são tão discriminadas, que não tem oportunidade de estarem inseridas no mercado de trabalho. Pensando nas pessoas trans, é uma oportunidade de estar saindo da realidade das ruas”, explica Jéssica.
O representante da Amo Ser Trans, Daniel Lima, também falou da dívida histórica que a sociedade possui para com as pessoas transsexuais. “Esse incentivo ao trabalho é de extrema importância porque sabemos que a sociedade tem uma dívida histórica com a população LGBTQIA+, tanto na exclusão dessas pessoas, quanto pelos preconceitos que os jogam à margem. Sabemos que todas as letras das siglas sofrem, mas as transexuais e as travestis são as que mais sofrem com a falta de emprego e da falta de dignidade humana. Essa iniciativa vai trazer a capacitação dessas pessoas, fazer com que sejam inseridas no mercado formal e gerar a possibilidade da criação de mais políticas públicas voltadas a esse cenário”, afirma Daniel.
A assinatura também contou com a presença do assessor LGBTQIA+ da Diretoria de Direitos Humanos da Secretaria Municipal da Assistência Social, Marcelo Lima.

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