Racismo no  horário nobre

 Programa de entretenimento de uma das maiores emissoras de canal aberto do País, o BBB trouxe debate sobre racismo para o horário nobre a partir da fala de um dos participantes. Racismo estrutural? Injúria? Brincadeira? Essas foram algumas das perguntas levantadas durante o episódio.

 Ao comparar o cabelo de um colega negro com figurino de ‘homens das cavernas’, um participante abriu discussão sobre limite entre brincadeira e crime racial e qual a diferença entre injúria racial e racismo.

 Esses questionamentos foram esclarecidos pelo professor doutor em Direito coronel Eduardo Santiago Pereira. Docente da Universidade Tiradentes, ele explicou que o conceito de racismo estrutural abrange o conjunto de práticas, situações e falas embutidas que promovem, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial.

“Infelizmente, a expressão racismo estrutural tem sido banalizada. Sem conhecimento aprofundado da importância social, política e econômica para sociedade contemporânea, as pessoas têm se apropriado dessa expressão. O racismo se dá em várias dimensões. A dimensão do racismo estrutural surgiu   na virada dos séculos XVIII, XIX para construir uma formulação que justificasse o discurso de discriminações e sustentasse discursos econômicos e políticos de espoliação financeira”, explicou.

 Previsto no Código Penal, o crime de injúria racial prevê pena de reclusão de um a três anos e multa. Já o crime de racismo é inafiançável e imprescritível e está previsto na Lei nº 7.716/1989, como conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade e, geralmente, refere-se a crimes mais amplos.

O professor Eduardo explicou que práticas como as ocorridas no programa de televisão são consideradas racismo individual e que injúria racial e racismo andam juntos.

“O que ocorre no dia a dia é o racismo individual. Quando se fala de racismo estrutural se fala de política, economia e ocupação de espaço de poder, é algo maior. Esse racismo interpessoal, individual, se combate pela legislação e precisam ser tratadas sob o aspecto criminal. Não se pode separar a injúria racial do espaço de racismo. O esforço de se afastar a injúria do ambiente de crime de racismo faz parte da de toda essa conjuntura de racismo interpretativo”.

Assessoria de Imprensa | Unit

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