Representatividade: mulheres gerenciam pastas e recursos significativos na administração de Aracaju

Algumas das principais secretarias municipais de Aracaju são geridas por mulheres. Desde 2017, as pastas da Saúde e da Educação, bem como a Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat), têm mulheres como protagonistas.

Mais recentemente, a Secretaria da Assistência entrou para o time. Juntas, as gestoras são responsáveis pela execução de mais de R$983 milhões, cerca de 40% do orçamento do Município, e conferem um índice significativo de representatividade ao poder municipal.

Nesta gestão, somando-se a essa representatividade, há a vice-prefeita Katarina Feitoza, para quem a participação da mulher na esfera pública foi um fator determinante para a inserção no cenário político.

“Uma das coisas que mais me chamou atenção, desde o início, dentro deste governo, é justamente a importância dada à mulher. Isso é muito claro quando a gente percebe que as três maiores pastas do município, que são Saúde, Educação e Assistência, são dirigidas por mulheres”, afirma a vice-prefeita.

Katarina destaca que boa parte do orçamento do município está sendo gerido por três mulheres, fortes, capazes e que vêm demonstrando diante de toda essa crise o quanto são competentes e o quanto a gestão feminina faz diferença em determinados momentos.

“A gente percebe o peso e a responsabilidade que a gente tem com as outras mulheres, nossas companheiras aracajuanas. É uma responsabilidade a mais que temos, porque precisamos ser exemplo em todos os sentidos – como mulher, como gestora, exemplo como mãe”, ressalta.

Saúde
Waneska Barboza é a secretária municipal da Saúde, uma pasta que ela define como bastante complexa, cheia de detalhes e que tem sido mais demandada do que nunca nesses tempos de pandemia.

“A cobrança é muito grande e a responsabilidade, também. É uma grande responsabilidade estar à frente de todas as ações que vão ter impacto na população de Aracaju como um todo. É muito delicado, porém essa responsabilidade traz pra gente, também, muita alegria com as nossas ações”, reflete Waneska.

Ela diz que a pandemia tem desafiado a todos da Secretaria, impondo, diariamente, a necessidade de se reinventar. Mas, ressalta, o planejamento tem dado certo. E isso se deve, para além dos recursos humanos, aos recursos financeiros disponíveis. “O orçamento da Saúde é o maior da Prefeitura. Hoje, o orçamento da saúde está girando em torno de R$560 milhões”, revela.

“Em relação ao todo da Prefeitura, ele é bastante significativo. Isso nos traz uma grande responsabilidade, porque é dinheiro público que a gente precisa comprovar que está executando de forma correta, de forma que os resultados sejam entregues à sociedade”, reitera Waneska.

Waneska afirma que tudo na área da saúde é mais caro: contratar pessoas, contratar insumos, comprar equipamentos, fazer construções, o que amplia o desafio de gerir bem os recursos da pasta.

“Há quatro anos a gente vem trabalhando nesse sentido de melhoria da nossa rede. Já é possível visualizar isso com a implantação do prontuário eletrônico, com a revitalização de unidades básicas, com compras de equipamentos novos e substituição daqueles equipamentos antigos que a gente tinha nas unidades”, comemora a secretária.

Apesar dos desafios, Waneska acredita que a representatividade que ela ajuda a conferir à gestão é importante. “A presença da mulher, com todos os seus caprichos, à frente de uma Secretaria que tem significância é fundamental. A gente sabe que, historicamente, os locais mais visibilizados eram ocupados sempre por homens. E na atual gestão, a gente tem essa oportunidade. As mulheres são muito cuidadosas naquilo que fazem, mas também têm um pouco de sensibilidade. Eu acho que esse é o diferencial que tem dado certo”, destaca.

Educação
Outra pasta fundamental comandada por uma mulher é a da Educação, que tem à frente a professora Cecília Leite. Ela se diz honrada e feliz por constatar que as mulheres estão em setores estratégicos da gestão.

“Isso revela a importância do protagonismo feminino na administração do município. Além disso, ser representante também de uma secretaria que é hegemonicamente feminina – com cerca de 80% de professoras – mostra a garra, a força desse segmento que promove uma política tão importante”, diz Cecília Leite.

Ela vê o protagonismo da mulher nos diversos espaços da sociedade como uma realidade que tem se expandido, se consolidado, embora ainda seja necessário ampliar essa participação.

“Espero que nós tenhamos cada vez mais mulheres participando com protagonismo na sociedade, em todos os setores, em todos os espaços – na gestão, na política, na economia. Na Prefeitura de Aracaju, isso é fundamental, porque revela, em setores estratégicos, a liderança feminina. E que isso cresça no conjunto da sociedade, que a sociedade confie, acredite no potencial da mulher”, reforça.

Cecília considera uma responsabilidade ímpar gerir valores tão importantes e ter no quadro de professoras um ambiente hegemonicamente feminino. “Demonstra que ela vem ocupando cada vez mais espaços e que está pronta para fazer a gestão desses recursos. E ter 80% de professoras em nossa rede é a prova de que a mulher sai do âmbito privado para o público, consolidando essa atuação, essa representatividade”, analisa.

Assistência
De forma também emblemática, a Secretaria Municipal da Assistência Social tem à frente a assistente social Simone Passos, que não esconde a importância do olhar feminino nas ações da área.

“A pasta da Assistência Social é complexa, de grandes demandas e que precisa muito desse olhar mais feminino”, afirma.

Para Simone, é um grande privilégio estar à frente da pasta em uma capital como Aracaju. “Eu já fui gestora em outras cidades, mas aqui é um grande desafio. Aqui, a cada dia a gente testa a nossa capacidade de enfrentar os problemas, de enfrentar as demandas, de enfrentar as mazelas. E agora, depois da pandemia, tudo está se potencializando, então, é muito gratificante e enriquecedor como profissional estar à frente desta pasta”, reitera.

Segundo a secretária da Assistência Social, a cada dia novos desafios também se impõem nessa tarefa de assegurar direitos à população. Esses desafios passam pela própria gestão dos recursos. “Ter os recursos na mão e gerir de uma forma que vá atender a todas as demandas é fundamental. Nós temos recursos do Governo Federal que já são vinculados e já vêm direcionados para um tipo de atendimento; temos recursos próprios, que a gente tenta potencializar as demais ações”, explica.

Simone salienta que contar com uma equipe de profissionais que dá respaldo técnico e segurança para gerir a Secretaria de uma forma mais suave faz toda a diferença. “Quando a gente tem mulheres à frente da gestão, mulheres que têm pulso forte, é muito gratificante. E é muito importante para a gestão essa somação da visão feminina com a visão masculina. Numa gestão que tem um planejamento estratégico muito bem pensado, muito bem elaborado e, com certeza, a participação da mulher, junto aos demais secretários, é muito importante e é o ponto forte da gestão”, acredita.

Trabalho
Edivaneide Lima preside a Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat) e acredita que a representatividade que a gestão vem alcançando é reflexo da sensibilidade do governo municipal. “A gente sabe que todos trabalhamos o social, mas essas pastas específicas – a educação, saúde, assistência social e Fundação do Trabalho – estão muito ligadas à mulher”, define.

A Fundat, de forma especial, tem relevância inquestionável nesse cenário: “cerca de 80% do nosso público é composto por mulheres”, frisa Edivaneide. “Elas procuram se capacitar, precisam se empoderar diante do mercado de trabalho, para uma questão de sobrevivência mesmo. São mulheres que também agregam valores ao orçamento doméstico junto ao seu companheiro. Mas a grande maioria, realmente, são chefes de família”, afirma.

Ela admite que o trabalho é muito voltado para esse viés feminino, em diversas esferas, com cursos voltados, inclusive, para detentas. No caso da Fundat, Edivaneide ressalta a necessidade de otimizar os recursos do orçamento.

“Cada pasta tem as suas prioridades. Aqui, a nossa missão é de responsabilidade social mesmo. É priorizar aquilo que for mais necessário. Então, a gente procura – justamente para otimizar recursos que nós estamos tendo, já que o nosso orçamento não é grande – parcerias com iniciativa privada, principalmente com as instituições de ensino superior”, revela.

Edvaneide também destaca que a representatividade na gestão vai além da quantidade: é uma representatividade real, com as mulheres tendo voz efetiva. “O diferencial é que essas mulheres são de fato ouvidas”, reforça.

A vice-prefeita Katarina Feitoza, vê em todas essas mulheres a possibilidade de influenciar e fomentar ainda mais a participação delas nos espaços. “Nós devemos levar esse exemplo para nossa juventude, para as meninas que estão começando agora, para mulheres que estão sofrendo violência. Essas mulheres têm que se sentir representadas por mulheres fortes. Só assim elas terão condições de erguer a cabeça e lutar por seus direitos, que é o que estamos buscando aqui, contribuir ainda mais dentro da gestão pública municipal para que essas políticas públicas voltadas para as mulheres sejam cada vez mais efetivas”, afirma.

 

Tirzah Braga

Notícias de Sergipe

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