“Saúde Mental: como viver em um mundo pandêmico?” é tema de live do CRP19

Quanto a pandemia de COVID-19 influenciou a sua rotina e seu modo de vida? Qual a consequência dessa mudança de hábitos (ou tentativa) de cercear o aspecto social do ser humano? O que gerou de impacto para os profissionais que lidam com saúde e mais especificamente com saúde mental? As provocações são da psicóloga Petruska Passos Menezes (CRP 19/0636) que aponta como o maior desafio da pandemia do COVID-19 a capacidade das pessoas de lidarem com os impactos no modo de vida. “Resiliência e adaptabilidade estão totalmente no campo mental. Não sair de casa parece uma coisa simples e muito fácil de ser ‘domada’. Entretanto, quando os dias foram passando, a aparente tolerância deu espaço para mecanismos mentais das mais variadas formas, pensamentos e ações”, fala.

Artimanhas da mente como negar que pode adoecer ou alguém próximo possa morrer foi um recurso, e ainda é, para algumas pessoas. Outro comportamento é o excesso de zelo e cuidados de limpeza e higienização que aflorou em muitos um traço obsessivo-compulsivo e até paranóide. Inventar remédios caseiros e crenças descontextualizadas da prática científica também estão entre o funcionamento mental de uma parcela da população.

“Tudo isso construído por uma mente desesperada em manter-se em uma zona de conforto segura e conhecida diante dos grandes medos e dores desencadeados pela incerteza do que há de vir. Nosso maior desafio não é somente o sistema público e privado de saúde, a corrida pela produção de vacinas ou a gestão política. O grande desafio da humanidade atual é lidar com a saúde mental. É manter a mente saudável para dar as respostas corretas para a demanda que surgiu. Entretanto, ficar em casa, não ter balada, não visitar e confraternizar com a família ou com os amigos, aproxima as pessoas de aspectos que o mundo capitalista contemporâneo não os preparou”, reflete.

A psicóloga ressalta ainda que a sociedade não está acostumada a voltar-se para si. A se permitir estar só consigo e se observar. Apreender e sentir sensações, emoções e sentimentos de forma a conhecê-los e, com a ajuda do pensar, aprender a conviver com eles. Em um mundo onde a busca é por anestesia e fuga da realidade, quer seja pela fantasia ou pela virtualidade, agora se paga o preço pelo desligamento e fragmentação do ‘Eu’.

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“Os consultórios psicanalíticos, psicológicos e psiquiátricos estão cheios tanto de pessoas que adoeceram por não saber lidar com a realidade e de profissionais da saúde que adoeceram por chegar à exaustão por pressão do trabalho somado com seus próprios medos e dores. Para nós que somos da Psicologia, nunca nos foi tão exigida a capacidade de lidar conosco para dar suporte ao agravamento dos nossos analisandos e pacientes. As teorias e as técnicas sozinhas não são suficientes para sanar o que se passa dentro de nós que estamos em uma das pontas responsáveis por promover o retorno da saúde. Muitos também adoeceram ou estão trabalhando sem condições de dar a continência afetiva necessária para o restabelecimento da saúde mental de quem nos procura”.

Ainda segundo Petruska Passos, agora é momento de recorrermos ao processo de autoconhecimento que toda psicoterapia promove e colocar o cuidado com a nossa mente em prioridade. Ferramentas como meditação, atividade física e dieta balanceada passaram a ser fundamentais para complementar e potencializar o verdadeiro trabalho de introspecção em busca do conhecer-se e lidar consigo. Nunca os profissionais da saúde mental foram tão importantes como agora, mas para isso é necessário que se tenha saúde completa, contemplando os aspectos biopsicossociais e espirituais de cada um.

“Aprender a suportar e cuidar da sua solidão, do seu desamparo e sentimento de finitude estão na ordem do dia. Olhando para dentro é que se pode se reconstruir, se fortalecer e olhar para fora. Conhecendo-se é possível ampliar a visão do mundo externo a si e encontrar respostas e soluções possíveis porque tudo começa e termina em nós”, conclui.

‘Saúde mental: como viver em um mundo pandêmico’ será um dos diversos temas em debate, dentro da programação do Janeiro Branco, do Conselho Regional de Psicologia de Sergipe. Aberta ao público, a live está marcada para quarta-feira, 20, às 18h30, no Google Meet, com   link a ser divulgado na bio do @crpsergipe, no dia do evento.

Assessoria de Comunicação | CRP19

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