Serviço de apoio psicológico remoto ajuda aracajuanos a lidar com a pandemia do novo coronavírus

A realidade imposta pela pandemia do novo coronavírus (covid-19), que já tirou a vida de mais de 160 mil brasileiros e tem provocado uma grave crise econômica, tem reforçado a importância do cuidado com a saúde mental. Associado ao medo material e biológico está a angústia e ansiedade. Desta maneira, o serviço de Apoio Psicológico Remoto, ofertado pela Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), se mostra fundamental, ao auxiliar os aracajuanos à enfrentar os tempos difíceis.

Disponibilizado desde o início de abril, primeiramente aos profissionais de saúde, tanto da rede privada quanto pública, o serviço foi ampliado em junho, para atender a todos. “O serviço de apoio psicológico segue funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, ininterruptamente, através do 0800 729 534, opção 2. Temos oito psicólogos disponíveis, que atendem toda a população que entra em contato. Do dia 6 de abril até 30 de novembro, data do último balanço, cerca de 5 mil  pessoas foram atendidas”, explica a coordenadora do Serviço de Atenção Psicológica (Sapsi), Chenya Coutinho.

A coordenadora explica que os motivos para as ligações mudaram no percurso da pandemia. No início, as questões eram ligadas exclusivamente ao diagnóstico da covid-19, depois começaram os casos de violência doméstica e até tentativas de suicídio. Hoje, segundo Chenya, a maioria das ligações se dá por uma angústia generalizada, causada pelas incertezas relativas à vacina, e ansiedade inespecífica, causada pelos fatores estressores da pandemia, como as dificuldades financeiras e sociais.

As ligações não têm quantitativo de tempo definido, variam desde poucos minutos, para se passar uma informação, até horas por causa de uma crise de ansiedade ou pensamentos suicidas. A partir de julho, a equipe técnica diagnosticou a necessidade de, além de receber as ligações, também fazê-las, mas em circunstâncias específicas.

A primeira é referente às notificações do MonitorAju, tanto de pessoas com a suspeita de covid-19 quanto às confirmadas. Assim como, o acompanhamento, caso o aracajuano permita, dos processos de luto relacionado à doença, na busca por garantir suporte emocional e uma psicoeducação.

Outro tipo de ligação diz respeito às próprias pessoas que já procuraram o serviço e que os psicólogos notaram a necessidade de um acompanhamento mais longitudinal, com uma maior periodicidade, dependendo de cada caso. Assim, os atendimentos podem começar diários, sendo espaçados com uma melhora, até a alta.

Há a possibilidade, também, do profissional recomendar a ajuda presencial. Assim, há uma continuidade para saber se a pessoa realmente adotou as recomendações.

Por fim, há uma parceria com Núcleo de Prevenção de Violências e Acidentes (Nupeva), órgão que recebe notificações de tentativas de suicídio e automutilação. Esse tipo de notificação é obrigatória, seja em hospitais públicos ou privados, ou seja, era um procedimento padrão, surgido antes da pandemia. Agora, com o serviço de apoio psicológico essas pessoas são procuradas para acompanhamento.

Esse mesmo núcleo trabalha articulado também com a Patrulha Maria da Penha, programa da Guarda Municipal, e o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV). Por ser ofertado via telefone, o serviço tem propiciado quebras de barreiras, uma vez que as pessoas que procuram se sentem mais protegidas, tanto pelo sigilo da conversa quanto por não estarem sendo vistas. Isso é importante, porque há ainda a noção equivocada de que o sofrimento psíquico é uma coisa que acomete pessoas fracas ou que não são religiosas.

“É preciso combater a ideia de que ajuda psicológica é coisa de ‘doido’. Terapia é importante para todo mundo e deve ser mais acessível. O preconceito, muitas vezes, vem de um entendimento errado, de que o psicólogo ‘não vai resolver meu problema’. Isso é óbvio, o profissional vai auxiliar a olhar por outro ângulo, enxergar outras possibilidades”, aponta Chenya.

Neste contexto de incompreensão e desinformação, os casos de tentativa de suicídio têm aumentado, sendo que a maioria deles envolve homens em idade produtiva, negros e periféricos, de acordo com os dados do Nupeva.  “Nós precisamos chegar nessas pessoas, pois sabemos que por causa da pandemia muitos estão perdendo os empregos, aumentando suas situações de vulnerabilidade. Geralmente, são aqueles que sustentam suas famílias, então há todo um contexto social que afeta o emocional”, ressalta a coordenadora do Sapsi.

Mesmo que estejamos em um momento de pós-pico da pandemia,  a necessidade de reforçar os cuidados com a saúde mental continuam. Por isso o Apoio Psicológico Remoto segue ativo. “Existem estudos da OMS sobre os processos que envolvem grandes catástrofes, apontando a quantidade de problemas estressores que surgem associados. Então, há uma primeira onda que é biológica e uma segunda que é psicossomática, relacionada aos fatores estressores da primeira. Então, a Prefeitura de Aracaju se antecipou, promovendo esse serviço para a totalidade da população, de maneira democrática, ampla, entendendo que o quanto antes o cuidado fosse ofertado menor seria o enraizamento deste problema”, reforça Chenya.

Foto: Sergio Silva/PMA

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