Surgimento recorrente de novas variantes do Coronavírus levam paciente a estado grave mais rápido

A alta circulação do vírus causador da Covid-19 acaba acarretando o cenário propício para o surgimento de novas variantes do SARS-CoV-2 (novo coronavírus). Este se tornou o atual cenário do Brasil, que já registra mais de 350 mil mortes por Covid-19 e o surgimento ainda recorrente de novas linhagens do coronavírus.
Em Sergipe, as variantes, que são as alterações/mutações da versão original do vírus, e que atualmente são diferentes do vírus identificado pela primeira vez na China, em 2019, começaram a ser detectadas no mês de fevereiro, segundo o Laboratório Central (Lacen-SE).
A médica infectologista e cooperada Unimed Sergipe, Mariela Cometki, explica que além da variante de Manaus, conhecida oficialmente como P.1, pelo menos quatro variantes do SARS-CoV-2 circulam no Estado de forma significativa.
“De acordo com o levantamento feito pela Fiocruz em março, são observadas, em ordem crescente, as seguintes linhagens do Coronavírus: B.1.1.29; B.1.1.28; B.1.1.33; P.1 – derivada da B.1.1.28 e conhecida como a variante de Manaus; e P.2 – derivada da B.1.1.28 e conhecida como a variante do Rio de Janeiro. Mais recentemente, foi identificada a variante N9, encontrada originalmente em São Paulo e derivada da linhagem B.1.1.33”, explica a infectologista.
A forma de transmissão das variantes continua sendo a mesma, o que torna ainda mais importante a manutenção das normas de segurança. Os sintomas também são similares aos já conhecidos, como febre, tosse seca, cansaço, dores de cabeça, entre outros. No entanto, o que acende o sinal de alerta para as variantes é a forma como a doença se torna mais grave em pouco espaço de tempo.
“Estão mais infectantes, atingindo um potencial de transmissão maior, além de terem maior potencial de letalidade em pessoas jovens sem comorbidades. O maior desafio é o adoecimento em massa da população, pois o tratamento baseia-se em suporte clínico e ter espaço físico adequado e especializado para o atendimento desses pacientes. Há necessidade de ampliação de leitos e funcionários. Infelizmente não temos um tratamento efetivo medicamentoso e preventivo”, completa Mariela.
De acordo com outra especialista cooperada da Unimed Sergipe, Priscila Lopes, os sintomas são os mesmos, o problema que vem de forma mais precoce, principalmente os sintomas mais graves, que é a questão da pneumonia.
“A pneumonia é percebida mais pela tosse e nem sempre apresenta quadro febril. Também se observa pelo aumento da frequência respiratória e, por último, pela queda da saturação. É frequente o paciente se manter em casa com uma tosse seca e ficar se atendo muito a questão da febre e uma queda da saturação que às vezes pode não acontecer ou só acontecer no final, quando já se perdeu tempo para iniciar algum tipo de tratamento”, enfatiza a médica cooperada.
A médica conta também que o perfil de pacientes em estado grave não está mais tão relacionado com comorbidades como diabetes, hipertensão ou obesidade, por exemplo. “Mudou bastante o perfil das pessoas que estão evoluindo para a forma grave. Primeiro, pela questão de que hoje se tem um número maior de pessoas contaminadas, existe uma variante mais agressiva, temos um tratamento que talvez não consiga frear a evolução da doença. Antes, a gente esperava uma evolução para pneumonia a partir da segunda semana, agora, tem paciente que no terceiro dia da doença já está com a pneumonia estabelecida”, continua Priscila.
Mesmo pacientes com histórico de atletas ou de que sempre tiveram boa saúde estão evoluindo para casos mais graves e até mesmo o óbito. A especialista pontua que durante a primeira onda da Covid a sensação era de que se tratava a doença. Atualmente, os profissionais médicos não estão conseguindo fazer com que a doença cesse ou que ela não evolua.

“Damos as medicações, mas essas medicações não são garantia nenhuma de que essa doença não vai evoluir para uma forma grave, com a lesão pulmonar. É uma tentativa que, muitas vezes, é bem frustrante, já que hoje vemos pacientes se deteriorando com uma rapidez muito grande. Acredito muito na intubação precoce do paciente. Acho que isso é primordial para fazer com que ele tenha uma boa recuperação. Eu acredito que a intubação também é tratamento, então, quando isso for feito na hora certa, pode salvar vidas. Também torcemos para que a vacinação avance, para ajudar a diminuir o número de pessoas em UTIs, para que a gente consiga trabalhar melhor, dando mais qualidade no atendimento de cada paciente, com mão de obra, materiais e fármacos suficientes para todos”, completa a médica.

 

 

 

 

 

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